Segunda metade de um governo “bate cabeça”

Eram 57 milhões de pessoas unidas em prol de um governo que prometia eliminar os conchavos, a intervenção estatal, a falta de gestão… Levados por difusos interesses, os brasileiros elegeram Bolsonaro e uma renovação de expectativas foi sentida, inclusive no mercado financeiro, com 37% de valorização no principal índice de ações brasileiro.
Porém, no ano de 2020, o governo sofre seus primeiros grandes testes: a pandemia, vaza jato, problemas com corrupção envolvendo seus filhos, entre outras questões. Tudo fluía para ser o pior ano para o presidente, o desastre era iminente. Contudo, a queda na popularidade de um governo em constante campanha não seria uma opção.
Foi aí que a receita para o fracasso começou a ser dada: deixar todas as pautas potencialmente problemáticas para depois e dar dinheiro para o povo, e assim foi.
O governo escolheu não avançar nas reformas, não promover o isolamento social, não investir em vacinas. Na contraparte, se deliciou com a popularidade de medidas como o auxílio emergencial. Sabemos que era fundamental ceder algum tipo de auxílio, mas a sua condução foi desastrosa, nada foi negociado em troca. O parlamento e a presidência deveriam deixar claro que seriam necessárias as reformas para sustentar a crise.

E se a troca de presidente da Petrobrás prosperar?
O mercado financeiro nunca esteve tão atento a Brasília, os mesmos investidores que traçaram lindos cenários, já demonstravam algum tipo de preocupação. Nosso ministro, Paulo Guedes, deveria comandar uma política liberal e centrada em reformas. Estive convicto da sua saída do governo em 2020, mesmo vendo grande parte da equipe debandar, imagino que a probabilidade de sua saída está baixíssima. Claramente o “super” ministro da economia é desprovido da capacidade de articulação e de gerir equipes, mas ainda é possível que cumpra bem seu papel de fiador de Bolsonaro. Espero pouco em relação ao potencial de execução, acredito que boa parte das ideias não sairão do papel. Mas, caso ele controle o ímpeto estadista e gastador de Bolsonaro, já terá feito um bom trabalho.
Nos últimos 3 meses, vimos as expectativas de inflação crescerem de 3% para até 5% e essa expressiva alta pode gerar um grande descompasso nas contas públicas, lembrando que boa parte dos títulos emitidos pelo governo são atrelados à inflação, como o IPCA. De modo prático, quando as coisas ficam mais caras, o governo também paga mais juros e sobra menos dinheiro para investimentos do setor público como, por exemplo, as vacinas.
Trabalho com a expectativa da bolsa em 130 mil pontos nos próximos meses, acompanhando a alta generalizada nas bolsas mundiais e nas commodities. Contudo, novamente será um ano que uma boa dose de prudência fará bem. Esteja atento para uma redução estratégica na posição em ações caso aumente o risco de interferência governamental na economia ou uma deterioração das expectativas, de modo prático você terá um gatilho de que algo está errado caso o dólar fique acima de 5,80 ou os juros de 10 anos acima de 8,5%. Contando que esses dois parâmetros não sejam alcançados poderemos seguir tranquilos nas ações. Para a renda fixa procure ativos de longo prazo e atrelados à inflação.

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Vinicius Machado

Vinicius Machado

Economista pela Federal do Rio Grande do Sul e com mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Durante a minha carreira sempre me encantei com atendimento direto às pessoas e aprendi a pensar as finanças além dos números, afinal, indivíduos não se resumem em suas metas e rentabilidades.

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